Passeata pela metade da pista da Avenida Sete de Setembro rumo à Praça Municipal
(Todas as fotos: Jadson Oliveira)
Concentração na Praça da Piedade (no detalhe, protesto contra a Rede Glogo)

De Salvador (Bahia) – Também Salvador, a quase sempre ensolarada capital dos baianos, já está inserida no circuito internacional dos “indignados”, os novos “guerrilheiros” modernos que querem mudar o mundo dominado pela ditadura das corporações financeiras e que se deleitam em manejar, ao invés de fuzis, a rebeldia e as novíssimas tecnologias da informática. Começaram a surgir nas rebeliões árabes, passaram a brilhar na Europa, com especial eloqüência na Porta do Sol, em Madrid, Espanha, ocuparam Wall Street, Nova Iorque, coração do capitalismo, e se espalharam pelo mundo como uma praga.

E chegaram ao Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre… e à Bahia, por que não? Foram poucos, mais ou menos uma centena, os que se manifestaram no sábado, 15 de outubro, o chamado 15-O, dia fadado a se tornar o “dia internacional dos indignados”, de acordo com a ousada convocação dos insurgentes espanhóis. Mas eles não se importam com o pequeno número, parecem crer fielmente na força da “presença” on line, confiam nos contatos através do Twitter e do Facebook e na necessidade urgente de mudar um mundo cheio de injustiças sociais, desigualdade, opressão e violência. São uma pequena parte dos milhares de jovens que protestaram em centenas de cidades de dezenas de países de todos os continentes.

Assembleia na Piedade para discutir a exibição ou não de bandeiras de partidos
Nos cartazes a variedade de protestos e reivindicações

Começaram a se juntar por volta das 10 horas da manhã do sábado na Praça da Piedade, área do centro antigo da cidade. Pintaram cartazes com variadíssimos protestos e reivindicações: 10% do PIB para educação, “educação do campo é direito e não esmola”,” lugar de político ladrão é na cadeia”, logotipo da TV Globo: “Alienação a gente vê por aqui”, “você aí parado também é explorado”, “transforme sua indignação em ação”, “que os ricos paguem pela crise”, etc, etc.

Apesar da fama de “apartidários”, “suprapartidários” – na verdade, um novo tipo de anarquismo -, parte dos “indignados” baianos que foram à Praça da Piedade era “organizada”, ou seja, fazia parte de partidos políticos e entidades do movimento social. Claro que teve gente sem partido, livre-atirador, como teve gente de novos grupamentos, a exemplo do Partido Pirata e do grupo Anonymous, com características bem anarquistas, mas teve também gente do PSTU, do PSOL, da Associação Nacional de Estudantes – Livre (Anel), de diretórios estudantis, do Sinasefe (sindicato dos servidores e professores do antigo Cefet, atual IFBA – Instituto Federal da Bahia, de ensino superior e técnico), do ANDES (sindicato de professores do ensino superior) e apareceu ainda, de passagem pelo local, uma dirigente do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Norma de Castro Batista, que aproveitou e sapecou um vibrante e aplaudido discurso.

Mas não foi harmoniosa a convivência de “organizados” e “não-organizados”. Uma parte – creio que a maioria – não gostou de que alguns partidários do PSTU exibissem a bandeira do partido (somente gente do PSTU tinha levado bandeira). Que qualquer um exibisse nos cartazes suas mensagens, seus protestos, tudo bem. Que qualquer um exibisse o nome de seu partido na camiseta, tudo bem. Mas levantar a bandeira com sua sigla partidária, não, era contra o espírito do movimento. Depois dos pronunciamentos na praça e antes da passeata pela Avenida Sete de Setembro rumo à Praça Municipal, a divergência rendeu muita discussão. Resultado: durante o debate em assembleia, antes de alguma decisão, as pessoas afinadas com o PSTU e a Anel se retiraram e desistiram de participar da passeata.

Concentração nas escadarias do Palácio Rio Branco, Praça Municipal

E então uns 70 a 80 manifestantes, com muita animação e muitas palavras-de-ordem – algumas bem irreverentes, como “que país é esse? é a porra do Brasil” -, desfilaram pela Avenida Sete, a principal via do centro de Salvador, ocupando apenas a metade da pista. Alguns poucos policiais se encarregaram de ajudar para que o trânsito fluísse sem problemas.

Na Praça Municipal, nas escadarias do Palácio Rio Branco (na praça estão ainda o Elevador Lacerda, cartão postal da cidade, a Câmara dos Vereadores e o Palácio Thomé de Souza, onde fica o gabinete do prefeito), os “indignados” avaliaram o movimento, se “ligaram” ao vivo nas redes sociais da Internet e decidiram iniciar o acampamento numa área de Ondina, bairro de classe média da orla marítima (área principal do bairro, nas proximidades da praça conhecida popularmente como “praça das gordinhas”).

fonte: http://blogdejadson.blogspot.com/2011/10/indignados-baianos-vao-as-ruas-no-15-o.html

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