Assembleias horizontais

Este documento é o resultado das experiências da Dinâmica de Grupo da  Comissão para as Assembleias do acampamento de protesto Puerta del Sol,  e contém apenas sugestões. Nós encorajamos você a adicionar mais  observações, para melhorá-lo e compartilhá-lo de modo que todos nós possamos  aprender a participar de uma Assembleia.

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O que é uma assembleia? Como podemos organizá-la? Quantas pessoas precisamos? E principalmente, como garantir que a assembleia seja horizontal e não um palanque político?

Com a possibilidade de novas acampadas e sabendo que estamos iniciando um movimento com grande potencial e que estamos aprendendo a cada dia, muitas dúvidas podem surgir com respeito a principal atividade desenvolvida pela acampada, as assembleias populares, aonde a sociedade se une para escutar ativamente, debater e buscar consensos.

Esse texto foi preparado pela Comissão de Dinamização de Assembleias da Acampada Sol (Madrid). É baseado em diferentes textos e resumos que alcançaram consenso nas Assembleias Internas dessa Comissão e de experiências obtidas nas Assembleias Gerais mantidas até o dia 31 de maio.

A proposta desse guia rápido é facilitar e encorajar o desenvolvimento de diversas assembleias populares que vem sendo criadas desde o começo do movimento. Esse guia será periodicamente revisado e atualizado. De nenhuma maneira é para ser considerado um modelo fechado que não pode ser adaptado através de consenso por qualquer assembleia.

A Comissão de Dinamização de Assembleias convida todas as pessoas a assistir e participar das reuniões, planos de trabalho e assembleias internas desta comissão, que são abertas a qualquer pessoa que queira participar ativamente na sua manutenção, aperfeiçoamento e desenvolvimento.

“A assembleia é como um presente para as pessoas que podem observá-la e/ou participar dela, a assembleia tem a capacidade de criar espaços aonde se gera essa nova relação, essa nova proposta de organização que gera processos e da velocidade a transformação pessoal e do grupo”

“La asamblea es como un regalo para la gente que puede observarla y/o participar de ella, la asamblea tiene la capacidad de crear espacios donde se genera esa relación nueva, esa propuesta nueva de organización que genera procesos y da velocidad a la transformación personal y del grupo” 

Por um indignado de alguma acampada.

 

Reflexão aberta do Pensamento Coletivo

Enquanto gostaríamos de compartilhar nossas impressões até agora, os encorajamos a continuar refletindo e debatendo essas impressões. Acreditamos que precisamos nos dedicar a pensar sobre um ponto muito importante do movimento: o pensamento coletivo.

O Pensamento Coletivo é totalmente oposto ao sistema atual que se erije sobre o individualismo. Por tanto é difícil de assimilar e aplicar. Necessitamos tempo, é um processo longo. Normalmente, diante de uma decisão, duas pessoas, com ideias opostas, tendem a enfrentar-se e defender ferozmente suas ideias tendo como objetivo convencer, ganhar ou ao pelo menos chegar a um ponto médio

O objetivo do pensamento coletivo é construir, ou seja, duas pessoas com ideias diferentes se dedicam a construir algo, não se trata da minha ideia ou da sua. São as duas ideias juntas que resultarão em um produto novo que no princípio nenhuma parte o conhecia. Por isso é tão importante a escuta ativa na qual não estamos apenas preparando a resposta que vamos dar.

O pensamento coletivo nasce quando entendemos que todas as opiniões, as nossas e as diferentes, todas, são necessárias para gerar a ideia de consenso. Uma ideia que após sua construção nos transforma indiretamente.

Ânimo, estamos aprendendo, somos capazes de consegui-lo, apenas precisamos de tempo.

CONCEITOS BÁSICOS

O que é uma Assembleia Popular?

É um órgão de decisões participativo que busca o consenso. Busca-se os melhores argumentos para tomar a decisão que mais se aproxima das diferentes opiniões, não é como o voto, onde as posições se enfrentam diretamente. O seu desenvolvimento deve ser pacífico, respeitando todas as opiniões, é preciso deixar os preconceitos e as ideologias em casa. Uma assembleia não deve concentrar-se em um discurso ideológico, mas em questões práticas “O que necessitamos?” “Como conseguimos?”. A assembleia se embasa na livre associação, se você não está de acordo com o que foi decidido, não existe obrigação de fazê-lo. Todas as pessoas são livres para fazer o que quiserem, a assembleia busca criar a inteligência coletiva, umas linhas comuns de pensamento e ação. Fomenta o diálogo e que a gente se conheça umas as outras (pessoas).

O que é um Consenso?

É a forma que as assembleias tomam uma decisão final sobre cada proposta específica. O consenso é alcançado quando não há total oposição na assembleia contra a proposta. O formato seguinte deve ser aplicado para cada proposta:

1)    O que está sendo proposto?

2)    Por que isso está sendo proposto?

3)    Como podemos realizar a proposta quando um consenso é alcançado?

4)    Para resumir: O quê? Por quê? Como?

O que é um Consenso Direto?

É um consenso alcançado sem opiniões contrárias, de forma direta.

O que é um Consenso Indireto?

É um consenso alcançado depois de debater diferentes posturas ante uma mesma proposta que NÃO alcançou um Consenso Direto.

Passos a seguir para alcançar o consenso indireto:

1 – O quê? Por quê? Como?

2 – Depois que a moderadora pergunte: “Alguma opinião totalmente contra?” e caso exista, SE ABRE O TURNO DE PALAVRA (fila para o tempo de uso da palavra) sobre a questão. O TURNO DE PALAVRA e COORDENAÇÃO (departamentos da assembleia)  ABRE UMA PRIMEIRA RODADA DE DEBATE: São apresentados três argumentos A FAVOR e três CONTRA. Após isso, novamente se pede à assembleia que mostre o seu parecer com o uso da Linguagem Comum de Signos (mais detalhes a seguir). Se ainda assim não se alcança o consenso ao perguntar por opiniões contrárias, a moderadora habilitará alguns minutos (3-5) para que as pessoas dialoguem (desde os seus assentos). Depois desse pequeno recesso se abre uma segunda rodada de intervenções de PROPOSTAS DE CONSENSO. Se terminam as rodadas e ainda assim não se alcança o consenso:

1 – Se a proposta provem de uma Comissão ou Grupo de Trabalho a mesma volta para sua reformulação.

2 – Se a proposta provem de uma pessoa em particular, a mesma será transladada a uma Comissão ou Grupo de Trabalho competente, para que seja debatida e reformulada e na próxima assembleia será submetida a consenso seguindo o mesmo procedimento anterior. Assim até alcançar um consenso.

Os papéis e funções envolvidos em uma Assembleia Popular:

É vital lembrarmos de controlar nossos gestos e linguagens corporais para que nossas emoções não confundam as pautas, e lembrar também que um sorriso é imensamente eficaz em momentos de tensão ou em um aparente beco sem saída. Pressa e cansaço são os inimigos do consenso.

EQUIPE LOGÍSTICA: Um mínimo de três pessoas são responsáveis pelo equipamento de uma Assembleia. Eles desenham um Mapa do Local no próprio local, organizando espaços e corredores que atravessam esses espaços, eles estão no comando do megafone, eles fornecem assentos a pessoas com deficiência ou a quem estiver muito cansado, eles fornecem água e sombra (guarda-sóis e guarda-chuvas) se as temperaturas estão altas ou o sol está direto, etc.

PARTICIPANTES DA ASSEMBLEIA: Inclui todas as pessoas que participam de uma Assembleia, incluindo o Grupo de Dinâmica e membros de Comissões ou Grupos de Trabalho. Os participantes são o sangue vivo e a razão de ser de uma Assembleia. Somos todos responsáveis pelo funcionamento e pela construção da Assembleia. Nossas funções são: ouvir as diversas vozes; participar em debates através dos Turnos de Palavra, e fazer propostas individuais ou avaliações subjetivas nos turnos de “Vários” (habilitados normalmente nos momentos finais de cada assembleia (mais detalhes a seguir)), para isso a pessoa precisa  pedir o turno com as compañeiras do Turno de Palavra.

EQUIPE DO TEMPO DE USO DA PALAVRA: Duas a quatro pessoas (dependendo do tamanho da Assembleia) se posicionam entre os participantes e próximos aos corredores. Eles devem usar um distintivo para serem mais bem identificados e carregar um cartão que diz “TURNS TO THE FLOOR” que eles seguram acima de suas cabeças, principalmente no fim de cada intervenção. Sua tarefa principal é anotar o nome dos participantes que querem tomar a vez. Quando tal pedido acontece, eles perguntam aos participantes:

1)    Sua intervenção é relacionada com o assunto discutido? (Lembre ao participante o assunto que está sendo discutido);

2)    É uma pergunta direta a algo que foi dito?

3)    Se é, concorda ou discorda com o que foi dito?

Com essas informações, um membro da equipe determina se a intervenção deve passar para o Coordenador do Tempo de Uso da Palavra ou não. Se a intervenção proposta não tem relação direta com o assunto disponível, o nome da pessoa é anotado, então ela será chamada durante a rodada de outros assuntos. Eles também informarão ao participante sobre outros fóruns de debate, grupos de trabalho etc. Membros dessa equipe devem ser conciliatórios, positivos, neutros e pacientes. Eles também são responsáveis por anotar qualquer pedido do(s) moderador(es) para serem auxiliados. Eles devem tentar envolver pessoas que não intervieram no debate ainda. Um erro comum é omitir anunciar o fim do período de pedido de tempo de uso da palavra. O montante total de tempo de uso da palavra deve ser limitado usando o senso-comum a fim de que cada assunto não se arraste indefinidamente.

COORDENADOR(ES) DA EQUIPE DO TEMPO DE USO DA PALAVRA:

Uma ou duas pessoas em estrita comunicação com a equipe de Turno de Palavras, são responsáveis por verificar as distintas petições de Turnos de Palavra que vão chegando para ordena-las antes de passá-las para os moderadores. No caso de estar no meio  de um debate aberto, ainda mais se o debate está acalorado, informam e coordenam os diferentes turnos de palavra pendentes para evitar repetir as mesmas mensagens, como também fazer a mediação entre pessoas com argumentos similares com o objetivo de apresentar uma proposta unificada para o debate. Os coordenadores são um filtro formal – eles não avaliam o conteúdo de cada intervenção. A fim de assegurar que as intervenções estejam relacionadas com o tema que se está tratando, eles devem lembrar aos oradores o assunto em pauta, e se não coincidir com o que o orador quer compartilhar, devem direcioná-los a outros fóruns. Uma vez a intervenção coordenada, o coordenador do tempo do uso da palavra informa o facilitador, que informa o moderador, de modo que eles possam chamar o orador para intervir na ordem certa.

EQUIPE FACILITADORA:

Duas ou três pessoas que dão suporte ao moderador. Eles são a “voz da consciência” do moderador. São as únicas pessoas que têm contato direto com os moderadores a fim de ajudá-los a manter a concentração e a imparcialidade. Os facilitadores devem estar posicionados ao redor do espaço de moderação. Eles ajudam o moderador a sintetizar e reformular propostas de modo objetivo e imparcial. Eles facilitam o fluxo de informação entre a “Coordenação” e o Moderador de modo que o tempo de uso da palavra seja justo e organizado. Eles previnem os participantes da assembleia de distraírem o moderador, ajudam o moderador a se comunicar com pessoas que sentem dificuldade em falar em público, alertam os moderadores sobre quaisquer erros com seus vocabulários ou resumos, os informam quaisquer anúncios de última hora, os ajudam a fixar os compromissos na agenda, etc. Em grandes debates a figura do “Facilitador Direto” pode ser criada a fim de ajudar mais de perto o moderador a seguir as normas da Assembleia.

Um importante meio de ajudar a Assembleia a funcionar sem problemas é incorporar uma ou duas pessoas para intervirem quando houver intervalos de silêncio, discussões demasiado acaloradas ou desvios graves. O principal papel deles é lembrar aos participantes da assembleia a importância do Pensamento Coletivo, da Audição Ativa e do verdadeiro significado do Consenso.

EQUIPES ALTERNADAS DE MODERADORES:

Uma ou mais pessoas (que se alterna(m) se a Assembleia é grande ou se há muita tensão). Essa alternância é decidida por toda a equipe de moderadores, com o bem maior da assembleia em mente. O moderador pode pedir para ser substituído. O moderador deve ajudar para que a Assembleia transcorra sem problemas, deve construir junto a todos o senso geral da Assembleia ao invés de seguir um protocolo. Idealmente, essa figura não deve precisar existir (todos devem respeitar todos). O(s) moderador(es) são responsáveis por: dar as boas-vindas aos participantes da assembleia; explicar a natureza e os trabalhos da Assembleia; apresentar o grupo de equipes dinâmicas e suas funções; moderar positivamente e conciliar posições distintas sem alinhar-se pessoalmente com nenhuma delas; informar a Assembleia as posições contra e a favor durante o processo de Consenso Indireto. Resumir cada intervenção durante as etapas do debate quando for preciso; e repetir o consenso como registrado em minutos. O moderador também dá voz aos gestos que devem ser feitos quando um orador não for devidamente notado (é recomendado que os participantes da assembleia esperem um orador acabar sua vez para depois expressar acordo ou desacordo, para evitar que as falas oscilem).  Além disso, o moderador é responsável por garantir uma atmosfera propícia para a troca de ideias e pelo estabelecimento de um tom positivo. Quando necessário, eles podem aliviar as tensões lembrando aos participantes o valor que qualquer debate soma ao Movimento 15 de Maio e motivar os participantes em geral. O moderador também pode ser substituído via consenso da Assembleia como um todo. Qualquer coisa falada fora do microfone deve ser repassada à assembleia como um todo, a fim de fomentar a transparência.

GRUPO DE INTÉRPRETES: Uma ou duas pessoas que traduzam intervenções orais para linguagens de gestos para deficientes auditivos e vice-versa. Suas visões não devem ser impedidas por pessoas que eventualmente queiram ficar na frente deles. Se os membros dessa equipe estão sob luz do sol direta, a Equipe Logística irá garantir que essas pessoas recebem sombra através de guarda-sóis.

EQUIPE DE NOTAS: Duas pessoas responsáveis por anotar todas as intervenções que não tenham sido documentadas. No caso das resoluções dos consensos, a equipe de notas pode solicitar que qualquer resolução seja repetida palavra por palavra e subsequentemente ratificada pela Assembleia. Normalmente um membro da equipe escreve as intervenções à mão e o outro membro usa um computador, no caso de precisar verificar o que foi escrito. Se os membros dessa equipe estão sob a luz direta do sol, a Equipe Logística garantirá que essas duas pessoas fiquem embaixo de guarda-sóis. No fim da Assembleia, as notas tomadas por essa equipe devem ser lidas para evitar confusões.

PROPOSTA – MAPA DA LOCALIZAÇÃO PARA AS EQUIPES DE DINAMIZAÇÃO DE CADA ASSEMBLEIA

LOGÍSTICA: Seu objetivo é organizar o espaço da assembleia antes da sua celebração, para torná-lo funcional e eficiente. Será a equipe encarregada de selecionar e delimitar o espaço (segundo as suas possibilidades) em acordo com os outros Grupos de Trabalho.

O espaço  de moderação é um retângulo delimitado com um giz ou uma fita colada no solo, se localiza na frente das Pessoas Assemblearias, como um “cenário”. Entre elas (Pessoas Assemblearias) serão posicionadas as TURNO DE PALAVRA de forma que estejam bem repartidas e visíveis para todas as pessoas. Assim, no espaço de moderação se colocarão: MODERADORA + OPERADORA DE TURNO no centro e de cada lado as INTERPRETES. A sua volta, tentando não atrapalhar a visão de ninguém, se encontram as FACILITADORAS, normalmente agachadas ou sentadas no solo enquanto atuam, e sempre ao alcance da EQUIPE ROTATIVA DE MODERAÇÃO e COORDENAÇÃO DE TURNO DE PALAVRA. De um lado do espaço de moderação se situam os Porta-vozes das Comissões e Grupos de Trabalho que vão intervir nas diversas partes da “Ordem do dia”, do outro lado se habilitará um perímetro para a COORDENAÇÃO DE TURNO DE PALAVRA, sempre ao alcance das pessoas facilitadoras e o mais longe possível da Equipe de ATAS (sempre perto do espaço de moderação para poder solicitar uma repetição, um resumo ou um texto apresentado) para NÃO distrair a sua concentração com as conversas que ocorrem antes de cada intervenção, facilitando assim o seu trabalho.

LINGUAGEM DE SINAIS PARA A EXPRESSÃO COLETIVA DE TODA A ASSEMBLEIA

Com o fim de acelerar os processos de expressão coletiva nas assembleias, os seguintes gestos foram combinados para expressar os seguintes fatores:

1 – APLAUSOS/CONFORMIDADE: Levantamos as mãos abertas movimentando os punhos.

Dessa forma evitamos que o ruído gerado pelos aplausos parem a assembleia.

2 – DESCONFORMIDADE: Cruzamos os braços formando uma espécie de X sobre a cabeça.

3 – “ISSO JÁ FOI DITO/VOCÊ ESTÁ SE ENROLANDO”: Se movem os braços girando as mãos sobre elas mesmas como que pedindo a substituicão de um jogador de futebol em um jogo.

4 – “VOCÊ ESTÁ SE ESTICANDO MUITO NA SUA INTERVENÇÃO”: Os braços estendidos em cruz vão fechando devagar como se fossem ponteiros de um relógio que vão se encontrando sobre a cabeça, até que as mãos se unam.

5 – “NÃO TE ESCUTAMOS BEM”: Se mostram as orelhas de cada ou se move a mão de baixo para cima para indicar que aumente o volume.

*** É recomendado informar à Assembleia sobre esta linguagem no começo da mesma. Também se recomenda informar a Assembleia da conveniência de NÃO expressar os sinais de aprovação ou desconformidade até que a oradora de turno termine a sua intervenção, para não condicionar a mesma, sempre que seja possível.

DIRETRIZES DE EXPRESSÃO VERBAL COMUNS RECOMENDADAS PARA MODERADORAS E ORADORAS

Empregamos uma “Linguagem Positiva” evitando enunciados negativos que fechem a possibilidade de seguir debatendo construtivamente. É uma forma de comunicação menos agressiva e mais conciliatória. É conveniente debater partindo dos pontos que unem antes de apoiar a intervenção dos pontos que diferem. Exemplo: “Não toque o cachorro que ele te morde” se pode expressar como “Presta atenção a esse cachorro que pode te morder e isso não desejamos nenhum de nós”. 2 – “Se não alcançamos um consenso nesse ponto, vamos perder tudo” pode ser expressado como “É importante chegarmos a um consenso quanto a esse ponto ou podemos perder força enquanto grupo e isso não interessa a ninguém”.

* Empregaremos uma “Linguagem Inclusiva” que não faça diferenças de gênero. Está claro que o constume joga contra essa proposta mas é conveniente que entre todAs (as pessoas) nos ajudemos mutuamente a recordar esse aspecto. Ex. Moderadoras e Operadoras (pessoas Moderadoras e Operadoras)

CHAVES PARA A ELABORAÇÃO DE UMA “ORDEM DO DIA” DINÂMICO

O que é a “Ordem do Dia” de uma Assembleia? Para que serve? A Ordem do Dia é um resumo dos temas que serão tratados na Assembleia. Serve para não deixar nenhum tema importante sem ser tratado, para manter uma ordem natural das intervenções e para poder calcular mais ou menos o máximo tempo que pode durar cada bloco. Ele é redatado e organizado pela Equipe de Dinamização e deve ficar bem claro para a moderadora de turno pois será o seu guia de conteúdos básico. A Comissão de Dinamização de Assembleias em nenhum caso valoriza e decide o conteúdo da Ordem do Dia, apenas os ordena em consenso com os representantes de cada comissão e grupo de trabalho que terá assistido a cada reunião preparatória. É um guia com os pontos fundamentais que vão ser tratados na Assembleia e é conveniente que seja lida no início da Assembleia para manter informadas os assistentes-participantes, envolvendo-os. Com a experiência de cada Assembleia o desenho desse resumo vai melhorando, atendendo aos aspectos mais ou menos importantes. Recomendamos que o trabalho elaborado se estabeleça dentro do tempo limite de duração da assembleia em função dos temas a tratar e do número de participantes, pois se a assembleia é muito longa perderemos a concentração e não será produtiva.

** Exemplo Prático Orientador de uma “Ordem do Dia” em forma de ESQUEMA**

1- Boas-vindas e apresentação positiva. A Assembleia é a celebração efetiva do poder popular.

2 – Resumo dos consensos alcançados na Assembleia anterior e os assuntos que ficaram pendentes.

3 – Apresentação da Equipe de Dinamização da Assembleia que vai dar início. Funções de cada pessoa.

4 – Explicação do conceito de “Assembleia”. Não “votamos”, consensuamos.

5 – Explicação do conceito de “consenso” (direto e indireto). Explicação do processo para alcançar consensos indiretos.

6 – Exemplificação dos canais de Turno de Palavra-Coordenação-Facilitação durante a assembleia.

7 – Relembrar os “Sinais Comuns” para a expressão comum e sugestões para expressar-se verbalmente em concordância ao estilo 15M acordado em Assembleia Geral (Linguagem Positivo).

8 – Leitura da “Ordem do Dia” a modo informativo.

9 – Turno de Comissões e Grupos de Trabalho SEM propostas a consensuar pela Assembleia, apenas informações que não requerem consenso. É desejável que um porta-voz de cada Comissão ou Grupo de Trabalho assista à reunião de preparação da Assembleia para poder organizar melhor a ordem dos conteúdos.

10 – Turno de Comissões e Grupos de trabalho COM propostas para a Assembleia.

Caso não alcance consenso direto se abrem Turno de Palavra-Argumentação. Recordar: máximo duas rondas de debate (em grupos de três) para defender cada postura e ou encontrar um ponto de união. Em debates acalorados podem crear-se um espaço para reflexão comunitária e se (depois de duas rondas) não se alcança o consenso se adia para a seguinte Assembleia) TURNOS DE PALAVRA PARA DEBATE – RESOLUÇÕES – ADIAMENTOS

11 – AVISOS IMPORTANTES. Citações, informações de interesse geral, últimas notícias de interesse etc.

12 – Turno de VÁRIOS: Durante esse turno não serão abertos Turnos de Palavra de Debate. É um turno para informação que se ratifica no momento, caso contrário se passa diretamente ao Grupo de Trabalho ou Comissão pertinente. (IMPORTANTE: Anunciar o fim do turno de palavra de “Vários” se necessário, por questões de tempo ou cansaço e antes de efetiva-lo informar aos que ficaram fora que os mesmos serão anotados e terão prioridade na próxima Assembleia para abrir o turno de “Vários”).

13 – Conclusões e citações para a próxima Assembleia.

14 – Mensagem de motivação e recordar aquilo que nos une. Nesse ponto se pode concluir com algo que deixe as pessoas motivadas e orgulhosas daquilo que estão construindo: leitura de algum verso, alguma notícia inspiradora, uma breve  leitura de um texto inspirador.

16 – Despedida e agradecimentos.

(Breve mensagem motivadora, consciência comum. Ânimo.)

REFLEXÃO ABERTA SOBRE ALGUNS CONTEÚDOS TEÓRICOS

O que é a organização horizontal?

É um tipo de organização social que implica a igualdade para todos os participantes em um grupo ou sociedade. Não existe hierarquia e é o oposto da organização vertical em que algumas pessoas tomam decisões e os outros obedecem.

O método utilizado para tomar decisões em uma sociedade ou grupo organizado horizontalmente é através de assembleias.

O que é uma Assembleia?

Um assembleia é um local de encontro onde as pessoas que têm um objetivo comum podem atender em pé de igualdade. Pode ser para:

* Informação: os participantes compartilham informações de interesse mútuo. Eles não debatem o conteúdo destas informações.

* Reflexão: em conjunto pensam um assunto, situação ou problema.  Informações devem ser dadas, mas não há necessidade de chegar a uma decisão imediata.

* Decisões: quando o grupo deve chegar a uma conclusão ou decisão mútua sobre um assunto em pauta. Para chegar a isso, as duas etapas anteriores (informações e reflexões) devem ser consideradas a fim de construir um consenso.

O que entendemos por consenso?

Um consenso é uma construção coletiva de uma solução ou uma decisão sobre um interesse comum.

Não é a elaboração de uma proposta que inclui toda e qualquer  necessidade individual, mas sim uma síntese de todas as opiniões  individuais que dão forma à melhor maneira de conseguir chegar ao  interesse comum do grupo.

Ele implica:

* Bastante clareza sobre o interesse comum do grupo.

* Consciência de que qualquer coisa coletiva é a soma de todo o  conhecimento e contribuição dos individuos; para este fim, as opiniões  de cada indivíduo devem ser comunicadas, ouvidas e respeitadas.

* Percepção de que o consenso é um fim mutuamente construído, ao invés de uma mera função.

* Percepção  de que o consenso envolve um processo e que tempo e etapas necessárias devem ser-lhe fornecidos.

Os passos necessários são:

* Criação de uma atmosfera relaxante, onde o grupo encoraja os participantes a ouvir, respeitar e apoiar uns aos outros. Um clima onde se ouve, se respeita e há cumplicidade entre seus membros.

* Certeza que a tarefa que irá ser trabalhada é clara e cristalina.

* Partilhar a informação de cada indivíduo ou sub-grupo para que ela possa ser devidamente levada em conta.

* Considerar todos os pontos com cuidado.

* Identificar e usar os pontos que claramente alcançaram um terreno comum, a fim de começar a construir a proposta.

* Gradualmente elaborar a proposta através do pensamento coletivo.

* Comemorar sua realização.

O que entendemos por pensamento coletivo?

É como uma síntese de talentos individuais e ideias. Não um resumo eclético do que é melhor, mas sim uma síntese de todos os talentos individuais colocados ao serviço do bem comum, criando através das diferenças, a compreensão das diferenças, como elementos que enriquecem a nossa visão comum, ou compreensão.

Ele implica:

* Sensação de que um é parte de um todo.

* Permitir-se “misturar-se” aos outros.

* Não considerar outros como adversários, mas sim componentes de todo o grupo e em igualdade de condições.

* Respeitar opiniões não por obrigação, mas sim através do desejo.

* Ter uma atitude positiva para ser capaz de ver o que une e não o que separa.

* Ir ao encontro ao invés de ir contra.

* Pensar com antecedência que as contribuições dos outros enriquecerá o processo.

* Não reagir imediatamente, permitindo que outros digam a aprofundem-se em primeiro lugar.

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